domingo, 14 de março de 2010

Londres de contrastes

Moderno e tradicional, pobre e rico, populoso e vazio. Foi essa experiência de contrastes que vivemos no sábado, durante um passeio de bike no leste de Londres. Em um percurso de 3 horas e meia, cruzamos pontos turísticos cheios de gente, fomos para bairros pobres de imigrantes, entramos em áreas ricas, com marinas à beira do Tâmisa, e, mais uma vez, adoramos o que vimos. Sem dúvida, um passeio muito bacana para quem quer fugir do óbvio.

Olha as nossas bikes. Essa primeira é a minha:



O Ian, que aguentou bem o tranco, foi numa cross, laranjinha:


E esse contraste arquitetônico entre um prédio todo feito de aço, supermoderno, exatamente ao lado de um mercado da era Vitoriana, ultra antigo e tradicional, me deixou encantada:



De um lado, esse ícone tradicional, totalmente conservado:



E de outro, a pós-modernidade pedindo passagem:

quinta-feira, 11 de março de 2010

Despedida

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mário Quintana

Mensagem a um amigo que faleceu e outra pessoa que partiu. Não pude me despedir de nenhum dos dois. Que vocês fiquem em paz.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Cinema de bairro

Já faz tempo que os cinemas de bairro deixaram de existir em São Paulo. No lugar deles, proliferam igrejas evangélicas e toda a sorte de comércio estranho. Restam as redes, ems shoppings, que cobram uma fortuna pelo ingresso e outra fortuna se paga pelo estacionamento, caso se vá de carro.

Pois bem. Neste sábado, Ian e eu fomos conhecer o cinema de bairro mais próximo aqui de casa (10 minutos de ônibus). É o Odeon (uma rede), mas que conservou os cinemas de bairro, não é interessante? Então, eles administram, etc e mantêm tanto o prédio (que geralmente é bonito e histórico) e a programação voltada para o perfil do público daquela região.

E a nossa experiência no Odeon Muswell Hill foi excelente. De fora, parecia um cinema pequeno, acanhadinho, assim:



Mas quando entramos na sala, tive um verdadeiro choque. A sala é gigante e linda, toda em art-deco, chiquérrima. Pena que a minha foto não deu conta...


O filme? Alice no País das Maravilhas, um desbunde. Mas isto é assunto para outro post.

P.S: amigas e amigos que lêem esse blog, obrigada pelo incentivo. Continuem me cobrando posts. E comentem!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Esse Google...

O Google é danado. E que ele ajuda, ajuda. Esses dias descobri (e não sei se todo mundo já sabe isso...e eu quem estava atrasada) que é possível "publicar" um arquivo pesado, desses que não dá para mandar por email, no Google e daí é só mandar o link para quem você quiser. Fácil, fácil. É o Google Docs.

Sei que esse tipo de compartilhamento já exitia em outras plataformas, mas não Google. Daí que eu fiz um teste e publiquei uma de minhas essays (a que eu ganhei distinção, com nota 70) para enviar para um dos entrevistados. Deu certo. E em dois minutos.

Bom, se você quiser ler o material (texto acadêmico, já vou avisando), é só clicar aqui:

https://docs.google.co/fileview?id=0B3dpENydB8K5NjBiYWE4MDgt

Me perdoe se o texto for chato demais e se essa história de Google Docs também já estiver ultrapassada. Afinal, já sou uma senhora de 35 anos.

Flower power


A primavera nem chegou, muito menos o verão, mas num passeio rápido pela Oxford Circus ontem à tarde, contaminada pela alegria da quase-primavera, com sol lindo e 10 graus, me deu a certeza de que eu vou me esbaldar nessa primavera-verão em Londres.

As bolinhas que eu tanto amo, as listras e as flores estão por toda parte: roupas, acessórios, calçados, bolsas, calcinhas, tudo. Me animei e comprei flores até para o cabelo. Vermelhas, claro, e camisetas listradinhas, larguinhas para usar com legging e sapatilha. Auge do conforto. Até a embalagem do body scrub da H&M é de bolinha. Não resisti e comprei o de pomegranade.

A melhor parte: preços incríveis na H&M. Flores de cabelo: duas por £1,99. Body Scrub (exfoliante corporal): £ 1,99, camisetas: £ 2,99 cada. Nada como uma tarde de quase-primavera, em sua própria companhia, para levantar o astral.

Paciência zen-budista


De volta à Londres depois de 10 dias de Espanha e mais uma semana de agitação por aqui mesmo, com aniversário do pequeno Ian, que completou 9 anos, e da visita do meu pai, este é um postzinho rápido.

A passagem por Londres está sendo, entre outras coisas, mais uma daquelas experiências em que a vida pede paciência (se é que ela não faz isso o tempo todo...). Depois de alguns episódios, chego à conclusão: odeio followers. E parece que sou vítima delas.

Respiro fundo e peço a Buda que me dê mais paciência e, principalmente, que faça cada um curtir seu próprio estilo, gostos, etc, sem precisar se inspirar em ninguém. A beleza está na singularidade. Amém.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Para a Madri de Almodóvar



Parto amanhã para Madri e, em meio a tantos pensamentos, lembrei-me da querida Lu Crippa que me contou uma vez que se sentiu em um filme do Almodóvar quando chegou na cidade. Estou ansiosa por vários motivos e esse é mais um deles. Deixar o espírito "Anti" inglês e deixar me contaminar pelo sangue espanhol, tão familiar para mim, será uma bênção.

A loucura espanhola é, acima de tudo, divertida. Principalmente, depois que o calor das emoções já se foi. E em loucura, Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, do Almodóvar, é simplesmente fundamental. Será que eu vou tomar Gaszpacho com esse frio? Sem tranquilizante, claro.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O espírito inglês



Vivendo em Londres, percebo que o espírito inglês é do contra. Hoje, ouvindo a BBC radio 6, minha preferida, com uma seleção de músicas maravilhosas, os locutores estavam comentando sobre o Dia dos Namorados, que será comemorado aqui no próximo domingo, dia 14 de fevereiro. E aí que a Lauren Laverne, do horário da manhã, resolveu fazer o programa dela com anti-love songs.

Tudo bem. Pode ser que esse não seja o melhor Dia dos Namorados para ela, mas ser anti alguma coisa é bem normal aqui. Ninguém fica comentando ou perguntando o porquê do programa ser anti-love songs. Somente é e ponto.

No espírito do contra, outro dado interessante: o que as mulheres geralmente fazem quando a meia-calça desfia? Joga fora, claro. Aqui, não. As modernas usam meia desfiada, rasgada (e até fazem isso de propósito) e, de preferência, com um sapatinho meio gasto (nada novo, pelo amor de Deus!), compondo um visual bem "não me arrumei". Anti-moda.

E, para finalizar, na editoria de assuntos domésticos, os produtos de limpeza aqui não precisam ser, necessariamente, cheirosos. "Anti-maquiagem". Quem disse que precisa ter cheiro? Só precisa limpar.

Não foi à toa que o movimento punk surgiu aqui.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Rosas ao mar



Viver em Londres está fazendo com que eu me sinta mais brasileira do que nunca. Olhando de longe, vejo coisas que de perto não conseguia enxergar. E, além de toda a herança cultural, carrego no meu nome uma das maiores provas da minha brasilidade.

Janaína é um dos nomes de Iemanjá, que hoje, 2 de fevereiro, recebeu milhares de homenagens na praia do Rio Vermelho, em Salvador. Já que não estou lá, envio a minha rosa virtual para a santa a quem devo o nome e que, com toda certeza, me protege.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A vida é contingência

Depois de sacar que, fazendo mestrado aqui, as perguntas são mais importantes que as respostas, hoje me caíram mais duas fichas: a parcialidade e a auto-reflexão (self-reflexivity).

Esses são mais dois daqueles conceitos que até então, para mim, estavam banidos do repertório do pesquisador, que deveria sempre ser imparcial e transparente, ou seja, não "aparecer" e não deixar sua subjetividade fazer parte do seu trabalho. Era assim que eu entendia a pesquisa. E foi assim que ela me foi ensinada.

Pois bem. Aqui, a parcialidade e a auto-reflexão (no sentido de o pesquisador refletir-se no trabalho) não são apenas muito bem-vindas, mas essenciais para um bom trabalho acadêmico.

E hoje, Jeremy Till, professor da faculdade de arquitetura, além de reforçar esses dois pontos na palestra que deu para a nossa turma, trouxe a idéia da contingência na pesquisa. Saí da aula achando que mais do contingência na pesquisa, a vida é contingência. Contingência para aprender e reaprender e para dar conta de tudo que vai surgindo no caminho.